“Passados 13 meses: INATRO não cumpriu promessa de Rampa em Cumbeza


Treze meses depois da promessa pública feita pelo Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), a ponte pedonal de Cumbeza, na cidade de Maputo, continua sem rampa de acesso. A estrutura permanece inacessível para pessoas com deficiência, idosos e mães com carrinhos de bebé, contrariando o compromisso assumido em 2024 de que a rampa estaria concluída até ao final do primeiro semestre de 2025.

A promessa foi feita diante das câmaras e microfones, com total visibilidade pública e institucional. Na altura, o representante do INATRO assegurou que “a rampa já está desenhada e a implementação poderá acontecer no primeiro semestre do próximo ano.” No entanto, um ano e 49 dias depois, nada mudou no local.

O atraso foi inicialmente justificado por “questões orçamentais”. Ainda assim, a instituição garantiu que o projecto seria concluído dentro dos prazos estabelecidos. O prazo passou, e a ponte de Cumbeza continua sem condições de acessibilidade.

Para muitos, trata-se de um incumprimento grave e de uma afronta aos direitos humanos, sobretudo para as pessoas com deficiência.

“Prova mais uma vez que o nosso governo não está interessado em resolver os problemas da pessoa com deficiência. A acessibilidade é um direito básico, e está a ser-nos negado”, denunciou um ativista ouvido pela reportagem.

A Federação das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) também condenou o silêncio das instituições, considerando o caso um reflexo da falta de prioridade política para com este grupo social.

“O governo faz barulho sobre inclusão, mas torna-se surdo quando se trata de agir. Se uma parte da sociedade é excluída, o Estado deixa de estar completo”, afirmou um dos representantes.

Procurada pela redacção da TV Sucesso, a Ministra do Trabalho, Género e Ação Social, Ivete Alane, mostrou desconhecimento total sobre o caso:

“Em relação à ponte pedonal, estou a tomar conhecimento pela primeira vez. Agradeço pela informação e vamos trabalhar com o setor responsável, neste caso o município e os transportes, para verificar como resolver. A acessibilidade é um direito.”

A declaração da ministra surpreendeu organizações e cidadãos, que consideram a resposta um sinal de desarticulação entre instituições do Estado e desinteresse pela inclusão social.

“Nos encontros interministeriais, a acessibilidade devia ser uma prioridade, mas continua fora da agenda nacional”, lamentou um membro da FAMOD.

Enquanto o INATRO promete um novo pronunciamento “em breve”, o exemplo de outros bairros de Maputo — como George Dimitrov, onde rampas seguras e acessíveis foram construídas — prova que soluções técnicas existem e são plenamente viáveis.

“Temos dirigentes, mas falta empatia. Em algum momento, era preciso que se colocassem no lugar de quem vive com limitação física”, acrescentou o mesmo representante.

Treze meses depois, a ponte de Cumbeza continua a simbolizar a distância entre o discurso e a ação. A promessa de acessibilidade transformou-se num retracto da negligência institucional e da indiferença política perante quem mais precisa de inclusão.

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