VINGANÇA POR TRAIÇÃO: MARIDO ENCOMENDA MORTE DO AMANTE DA ESPOSA


A Polícia de São Paulo concluiu a investigação sobre a morte de Anderson Campos de Andrade, técnico de laboratório de 48 anos, revelando que o crime foi um assassinato por encomenda motivado por vingança conjugal. Um marido traído contratou um amigo e um comparsa para executar o homem que se envolveu com a sua esposa. O crime, ocorrido em Março de 2024, em Campinas, interior de São Paulo, levou à prisão do mandante e do executor quase dois anos após o homicídio.

 

A Trama da Infidelidade e o Planeamento do Crime

O motivo do assassinato foi vingança por infidelidade. Anderson Campos de Andrade era casado com Adriana e começou a envolver-se com Vanessa, que era casada com Luís António Malavolta. Anderson e Vanessa eram colegas de trabalho no Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp. A família de Anderson afirmou que ele nunca mencionou a relação e que apenas dizia ter amizade com a colega.

A história de vingança começou quando Luís António descobriu a traição. O delegado responsável pelas investigações revelou que Luís fez diversas ameaças a Anderson.

O mandante também entrou em contacto com Adriana, esposa de Anderson, informando-a sobre o caso extraconjugal. Em mensagens trocadas, às quais o Domingo Espectacular teve acesso, Adriana questiona Luís António se ele havia recuperado mensagens do telemóvel de Vanessa, ao que ele responde que sim e que isso "deu mais vontade de matar ele".

Adriana chegou a implorar por clemência, dizendo: "Você vai acabar com a minha vida pelo amor de Deus". Luís respondeu: "A sua não". Ela ainda pediu que nada fosse feito por causa do filho do casal, e Luís ameaçou: "Talvez nem a dela mas um estrago vou fazer". Noutra mensagem, o mandante prometeu violência física: "não vou matar por vocês dois você e seu filho OK mas vou quebrar ele inteiro". Foi após descobrir a traição que Luís António Malavolta arquitectou o crime.

 

A Execução e a Prisão dos Acusados

O assassinato ocorreu na manhã de 22 de Março, dia do último pagamento ao executor. Anderson estava a sair da sua residência, no bairro Vila Miguel Vicente Curi, para ir trabalhar. Assim que fechou o portão da garagem, um homem com o rosto coberto aproximou-se e disparou três vezes contra ele. Nenhum pertence da vítima foi levado, reforçando a tese de execução. Câmaras de segurança registaram o veículo utilizado e o executor a correr com a arma na mão.

A investigação avançou após a apreensão dos telemóveis dos casais e a quebra do sigilo bancário de Luís António e Vanessa. A polícia descobriu pagamentos via Pix, totalizando R$ 10.000 (≈ MT 118.300; ≈ € 1.610) para uma mulher chamada Raquel, valor que seria o combinado para o assassinato.

A polícia chegou a Ovídio, marido de Raquel, e depois a Alexandre, amigo de Ovídio. Ovídio, após ser detido em Setembro e ver a companheira presa por ter emprestado o CPF para receber o dinheiro, confessou o crime: “Doutor, minha esposa não tem nada a ver com isso. Fui eu fui contratado pelo meu amigo de infância porque a mulher dele tava se envolvendo amorosamente”. Ovídio disse que, por não conduzir, precisou de um companheiro para o crime, identificado como Alexandre Campos da Silva, suspeito de ser o motorista. Alexandre foi morto em Agosto deste ano noutra ocorrência policial.

Luís António foi preso há três semanas, em Campinas. Inicialmente, negou ser o mandante: “Olha eu realmente eu queria atirar fogo no carro dele, então eu fiz uma busca, eu pesquisei, mas jamais queria um mal contra ele então eu não sou o mandante, não fui eu que pratiquei esse crime”. No entanto, a defesa de Luís António afirmou, por meio de nota, que ele “confessou a participação na morte de Anderson”.

 

Reacção da Família e Situação Legal

A conclusão do inquérito policial e a prisão dos acusados trouxeram algum alívio, mas a dor permanece na família da vítima. A mãe de Anderson descreveu a espera por justiça como “muito angustiante” e "muito sofrimento", chegando a ter um AVC “por causa de tanto pensar”.

O advogado do acusado de ser o executor, Ovídio, tentará anular o depoimento em que confessou a participação no crime. Já a defesa de Luís António entrou com um pedido de Habeas Corpus para que ele responda ao processo em liberdade e espera que o julgamento considere as circunstâncias pessoais do cliente.

Para a família de Anderson, o sentimento é de dor profunda: “eu preferia eu ter partida, ainda acabou comigo”. O delegado destacou que não foram encontradas evidências de participação das três esposas envolvidas no planeamento do assassinato.


Enviar um comentário

0 Comentários