Na madrugada do dia 1º de Janeiro, uma festa de Ano-Novo em Crans-Montana, prestigiada estância de esqui suíça, acabou em tragédia. Uma explosão seguida de incêndio num bar local causou a morte de pelo menos 40 pessoas e deixou 115 feridos, muitos em estado grave. As autoridades locais descartam a hipótese de terrorismo e trabalham com a linha de uma explosão acidental, possivelmente ligada ao incêndio.
O relato de um sobrevivente: “Por algum motivo, decidimos não ir”
Lucas Ferreira, corrector de imóveis brasileiro residente em Crans-Montana, descreveu à Rádio Gaúcha o clima de choque na cidade e a sorte que ele e sua família tiveram ao não comparecerem à festa. Estavam a menos de um quilómetro do local quando ouviram o estrondo da explosão.
"Eu, minha mãe e meu padrasto até pensamos em ir nesse mesmo bar... por algum motivo, acredito que Deus, decidimos não ir porque estava muito frio e já tínhamos bebido um pouco", contou Lucas.
"Logo depois, escutamos um barulho muito forte de explosão. Achamos que poderia ter sido um foguete."
Estrutura em “bunker” dificultou fuga
O bar funcionava num edifício antigo com um subsolo usado como bunker para proteger do frio e isolar o som. Popular entre turistas europeus, o espaço estava lotado — cerca de 300 pessoas. A arquitectura, com uma única escada servindo de entrada e saída, tornou-se armadilha fatal.
"Esse bar só tinha uma saída, que é a mesma da entrada, uma escada... escapar dali seria impossível, muito difícil", relatou Lucas.
Hipóteses da causa: pirotecnia e revestimento em madeira
Investigadores apontam para o uso de artefactos pirotécnicos dentro do bar, semelhantes ao desastre da boate Kiss no Brasil. Testemunhas afirmaram que faíscas foram produzidas durante a festa, possivelmente na abertura de uma garrafa de champanhe.
"Colocaram aqueles equipamentos pirotécnicos que soltam faíscas na garrafa de champanhe. Como a estrutura é revestida em madeira, o fogo começou rapidamente", explicou Lucas.
A explosão pode ter sido agravada por botijas de gás usadas para chope e bebidas.
Situação das vítimas e buscas
O número de mortos pode crescer, pois há desaparecidos que saíram para festejar e não retornaram. Os feridos foram levados para hospitais em Sion, Berna e Genebra, devido à capacidade limitada da rede local. A identificação dos corpos será complexa, dado o grau de destruição.
A área continua isolada para investigação, enquanto a polícia científica trabalha para determinar as causas e responsabilidades.

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