
Representantes de mais de 160 órgãos de comunicação, centros de pesquisa e instituições governamentais da China, de 41 países africanos e da União Africana (UA) participam, desde quinta-feira, no Global South Media and Think Tank Forum – China-Africa Partnership Conference, dedicado à reforma da governação global e ao reforço da cooperação China–África.
O encontro de dois dias é organizado pela Agência Xinhua, pela UA e pelo Independent Media da África do Sul, reunindo mais de 200 participantes para debater o papel da comunicação social e dos think tanks na construção de uma ordem internacional mais justa e inclusiva.
China–África no centro da transformação global

O fórum decorre num momento em que o Sul Global reforça a sua coordenação política e económica. Nos últimos anos, no quadro do Fórum de Cooperação China–África (FOCAC), Pequim lançou dez planos de cooperação, oito iniciativas principais e nove programas, definindo a orientação estratégica da parceria.
O editor-chefe da Agência Xinhua, Lyu Yansong, apelou à união e à criação de consensos, citando o provérbio africano “se quiser ir longe, vá acompanhado”. Já o embaixador da China na África do Sul, Wu Peng, definiu três pilares para a relação China–África: parceria, pragmatismo e perspectivas.
A UA, por via da sua directora de Informação e Comunicação, Leslie Richer, sublinhou que a China e África partilham um histórico de solidariedade e aspiram a narrativas mais equilibradas no espaço mediático global.
Durante o evento foi lançada a iniciativa “Unidos no Coração, Caminho e Acção – Plano de Empoderamento China–África 2026”, destinada a reforçar a cooperação entre instituições de comunicação e pesquisa.
Relatório aponta défice de liderança global
No mesmo fórum, o Instituto Xinhua apresentou o relatório “Construção Conjunta de um Novo Modelo de Liderança Global”, que identifica um défice de liderança internacional, visível nas crises de paz, desigualdades no desenvolvimento e tensões entre civilizações.
O documento defende um modelo de liderança multilateral, baseado na cooperação entre países, em detrimento da hegemonia de blocos ou nações isoladas. Lyu Yansong defendeu a aplicação prática da Iniciativa de Governação Global proposta pela China.
O relatório recebeu apoio dos delegados. Najeh Missaoui, director da Tunis Africa News Agency, disse que muitos países africanos apoiam a visão chinesa de uma ordem mais justa. O ministro da Informação da Gâmbia, Ismaila Ceesay, afirmou que o futuro da governação global deve ser “inclusivo, multipolar e representativo da diversidade humana”.
Parceria traduz-se em resultados concretos

Com 25 anos de FOCAC, a cooperação China–África gerou impactos visíveis: construção ou reabilitação de quase 100 mil km de estradas e mais de 10 mil km de linhas férreas, além de 1,1 milhão de empregos criados por empresas chinesas em África nos últimos três anos.
O presidente do Independent Media, Iqbal Survé, descreveu a parceria como “um exemplo do que a cooperação genuína pode alcançar”. Projectos como o arroz híbrido em Madagáscar, zonas industriais na Etiópia e Egipto, e o Parque de Tecnologia Verde na Mauritânia foram destacados como impulsionadores da modernização africana.

Para Erastus Mwencha, ex-vice-presidente da Comissão da UA, a China tem sido uma defensora consistente dos interesses do Sul Global, enquanto valores africanos como o Ubuntu coincidem com a visão chinesa de desenvolvimento comum.
O presidente do Africa Policy Institute, Peter Kagwanja, concluiu que a parceria África–China é o caminho mais viável para uma reforma inclusiva da governação global e para a construção de uma comunidade internacional com futuro partilhado.
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