BOANE | Governo vai demolir casas de 2.500 pessoas em zonas de inundação: “Não podemos tapar o sol com a peneira”


O Governo do Distrito de Boane anunciou que vai avançar, nas próximas duas semanas, com a demolição de casas e muros construídos em zonas de passagem natural da água, afectando cerca de 2.500 pessoas que vivem em áreas consideradas de alto risco de inundação.

A decisão, de carácter administrativo e compulsivo, surge na sequência das cheias registadas recentemente no distrito, que voltaram a expor os efeitos da construção desordenada em bacias de drenagem e cursos naturais de água.

Falando à imprensa, o administrador distrital de Boane, Lázaro Bambamba, explicou que os moradores abrangidos têm um prazo de duas semanas para abandonar voluntariamente as áreas em risco. Findo esse período, o Governo irá proceder à remoção forçada das pessoas e à demolição das infraestruturas.

“Se nós demoramos a demolir, o que vai acontecer? A água vai secar e a mesma pessoa que hoje está connosco ali vai fazer um discurso, vai reconstruir, e vamos andar num ciclo vicioso”, afirmou Bambamba.

O dirigente foi categórico ao sublinhar que a medida está alinhada com orientações ao nível provincial e que não haverá recuos:

“Nós não podemos continuar a tapar o sol com a peneira.”

🚧 Demolição imediata de muros e controlo rigoroso

Segundo o administrador, os muros construídos em linhas de drenagem serão demolidos de forma imediata, por serem considerados um dos principais factores de bloqueio do escoamento das águas pluviais.

No caso das residências, o processo seguirá uma avaliação jurídica e técnica, sendo analisado caso a caso, embora o objectivo final seja a retirada definitiva das pessoas das zonas de risco.

🏠 Sem indemnizações, mas com reassentamento

Questionado sobre compensações financeiras, Lázaro Bambamba foi claro: não haverá indemnização monetária para os afectados. Em alternativa, o Governo compromete-se a disponibilizar terrenos em zonas altas e seguras, para reassentar as famílias.

Os terrenos estão localizados:

  • Na localidade de Mulotana;

  • Na Autarquia de Boane;

  • Na Autarquia de Matola Rio.

“O cidadão que sabe que construiu numa zona que é bacia de água, caminho de água, que se aproxime. Nós, como distrito, vamos dar terreno na zona alta”, apelou o administrador.

🆘 Apoio humanitário em curso

A decisão ocorre num contexto em que o distrito ainda gere os efeitos das cheias recentes. Actualmente, cerca de 2.000 pessoas encontram-se em centros de acolhimento temporário.

Para apoio imediato, o Governo distrital recebeu recentemente duas toneladas de produtos diversos, doadas por uma operadora de transacções electrónicas, destinadas à assistência humanitária às famílias afectadas.

As autoridades reiteram que novas construções em zonas proibidas não serão toleradas, defendendo que a prevenção de cheias passa pelo cumprimento rigoroso do ordenamento territorial e pela responsabilidade individual dos cidadãos.

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