Trump avalia opções para adquirir a Gronelândia, incluindo o uso da força


O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a sua equipa estão a avaliar “uma série de opções” para adquirir a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, incluindo a possibilidade de “utilizar o exército norte-americano”, afirmou esta terça-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“O presidente e a sua equipa estão a discutir uma variedade de opções para alcançar este importante objectivo de política externa, e, naturalmente, o uso das forças armadas dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”, disse Leavitt à Xinhua, numa declaração enviada por correio electrónico.

Segundo ela, “o Presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos e é vital para dissuadir os nossos adversários na região do Árctico”.

O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou na segunda-feira que ninguém enfrentaria militarmente os Estados Unidos caso tentassem tomar a Gronelândia, que é um território autónomo da Dinamarca.

“É a posição formal do governo dos Estados Unidos que a Gronelândia deve fazer parte dos Estados Unidos”, disse Miller numa entrevista à CNN.

“Precisamos da Gronelândia, absolutamente. Precisamos dela para a defesa”, reiterou Trump numa entrevista telefónica à revista The Atlantic no domingo, reafirmando que a Venezuela pode não ser o último país alvo de intervenção norte-americana e afirmando que cabe aos outros decidir o que um ataque em grande escala dos Estados Unidos à Venezuela significa para a Gronelândia.

Horas após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, na madrugada de sábado, Katie Miller, esposa de Stephen Miller e aliada de Trump, publicou na rede social X uma imagem de um mapa da Gronelândia coberto pela bandeira norte-americana, com a palavra “EM BREVE”.

“O nosso país não é algo que se possa negar ou tomar apenas porque alguém quer”, afirmou o Primeiro-Ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, numa declaração emitida esta terça-feira.

“Princípios internacionais básicos estão a ser postos em causa” pelas repetidas ameaças de Washington, acrescentou Nielsen.

A Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu que “se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, então tudo pára, incluindo a própria NATO e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial”.

Os líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta na terça-feira, afirmando que “compete exclusivamente à Dinamarca e à Gronelândia decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia”.

Os líderes sublinharam que a segurança no Árctico continua a ser uma prioridade fundamental para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica, recordando que a NATO deixou claro que a região do Árctico é uma prioridade e que os aliados europeus estão a aumentar a sua presença na área.

A Gronelândia, antiga colónia dinamarquesa, recebeu autonomia interna em 1979. Em 2009, a Dinamarca aprovou a Lei do Autogoverno da Gronelândia, ampliando a autoridade da ilha sobre os seus assuntos internos. No entanto, a Dinamarca mantém o controlo sobre a política externa, defesa e segurança do território, segundo o Gabinete do Primeiro-Ministro dinamarquês.

“A anexação da Gronelândia seria uma catástrofe estratégica” para os Estados Unidos, advertiu Casey Michel, director do Programa de Combate à Cleptocracia da Fundação de Direitos Humanos.

“Qualquer tentativa dos Estados Unidos de reivindicar a ilha rapidamente sairia do controlo”, escreveu Michel na revista Foreign Policy. “Que aliança sobreviveria a algo assim? Que aliado confiaria nos Estados Unidos para não fazer o mesmo no futuro?”

“Num mundo de imperialismo, como diz o ditado, o apetite cresce à medida que se come”, concluiu Michel.

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