Dependência da Agricultura empurra famílias para zonas de risco


A forte ligação das comunidades moçambicanas à terra tem levado inúmeras famílias a fixarem residência em zonas de risco, motivadas pela proximidade de áreas férteis para o cultivo. 

Segundo dados recentes, cerca de 60% das terras no país são propícias para a agricultura, o que faz com que muitas famílias procurem as zonas baixas para praticar esta actividade e também a agropecuária, transformando estes locais numa “zona de conforto”, apesar da precariedade das habitações.

Um mapeamento realizado para identificar o perfil destas comunidades revelou que a maioria das famílias reside nestes bairros há pouco tempo, muitas vivendo no local há menos de cinco anos, outras ainda há menos de dois anos. Actualmente, a situação é de alerta, com 87 casas ainda alagadas e postos de transformação de energia desligados, para garantir a segurança e desincentivar a permanência em locais perigosos.

Estratégias de intervenção e corte de serviços

Para travar o ciclo de ocupação destas áreas, as autoridades locais estabeleceram parcerias estratégicas com empresas de serviços públicos. Existe um acordo com a Electricidade de Moçambique (EDM) para não voltar a efectuar a ligação de energia, garantindo que a EDM e a ADRM não prestem serviços nestas habitações. O objectivo final é dialogar com os titulares dos imóveis para que as estruturas, maioritariamente de construção precária e algumas de construção convencional, sejam posteriormente demolidas.

O desafio da alternativa de renda

A problemática do regresso das populações às zonas de risco após as cheias continua a ser um desafio central. Como as famílias muitas vezes não encontram condições adequadas de subsistência nas zonas seguras, acabam por regressar às casas nas zonas baixas assim que as águas baixam. Perante este cenário, torna-se imperativo criar condições ou alternativas de geração de renda que permitam às populações sobreviver em locais seguros. Além da identificação rigorosa das áreas de risco, defende-se a criação de infra-estruturas que impeçam fisicamente o regresso das pessoas a estas áreas vulneráveis.

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