A Consultora para Eliminação da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, Fernanda de Jesus Bernardo, defendeu esta quarta-feira (04), na capital do País, uma resposta firme, articulada e sem ambiguidades contra a violência baseada no gênero.
A mensagem foi directa: não é admissível que mulheres e raparigas continuem a ser assassinadas e os responsáveis permaneçam impunes.
“Não podemos aceitar que homens e rapazes matem mulheres e raparigas e não sejam devidamente responsabilizados”, afirmou.
Leis existem. Falta aplicação rigorosa.
Moçambique possui um quadro jurídico robusto no combate à violência baseada no gênero. O problema não está apenas na lei — está na execução.
Segundo a consultora, a violência contra mulheres e raparigas continua a ser normalizada em vários segmentos da sociedade, o que enfraquece o impacto das políticas públicas.
“Precisamos garantir que as leis não sejam apenas palavras no papel, mas que se tornem ferramentas reais de justiça.”
A afirmação levanta uma questão central:
📌 Quantos casos são denunciados?
📌 Quantos chegam efectivamente a julgamento?
📌 Quantos resultam em condenações exemplares?
Sem responsabilização efectiva, o ciclo de violência perpetua-se.
A responsabilidade é colectiva
Fernanda Bernardo foi clara ao sublinhar que o combate à violência baseada no gênero não pode ser delegado apenas ao Estado. Exige envolvimento de:
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Instituições judiciais
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Polícia
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Organizações da sociedade civil
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Líderes comunitários
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Escolas
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Famílias
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Igrejas
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Homens e rapazes
“Não podemos nos calar. A luta pela igualdade de gênero é constante e deve envolver todos os sectores da sociedade.”
Mudança estrutural, não apenas reacções pontuais
Especialistas defendem que o combate à violência exige:
✔ Educação desde a infância
✔ Reformas institucionais
✔ Celeridade processual
✔ Protecção efectiva às vítimas
✔ Mudança de mentalidades
Enquanto a violência for relativizada ou tratada como “assunto doméstico”, os números continuarão a crescer.
O desafio para Moçambique
A violência baseada no gênero não é um fenómeno isolado — é um reflexo de desigualdades históricas profundamente enraizadas. Combater este flagelo implica enfrentar práticas culturais nocivas, impunidade e fragilidades institucionais.
A posição da ONU Mulheres reforça um ponto essencial:
não basta condenar. É preciso agir.
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