PAÍS À BEIRA DO COLAPSO: FALTA DE COMBUSTÍVEL PARALISA MAPUTO E MATOLA PELO TERCEIRO DIA


A crise de combustíveis agravou-se nas cidades de Maputo e Matola, onde, pelo terceiro dia consecutivo, longas filas e postos de abastecimento sem produto estão a condicionar a mobilidade de cidadãos e actividades económicas.

Em várias artérias principais, o cenário é de congestionamento e incerteza. Automobilistas e operadores de transporte percorrem diferentes bombas na tentativa de garantir combustível, muitas vezes sem sucesso.

Transporte público sob pressão


A Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) alertou para o risco de paralisação do transporte de passageiros, caso a situação se mantenha.

Segundo transportadores, a escassez está a comprometer a actividade diária, obrigando muitos operadores a suspender serviços por falta de combustível.

«Devia estar a trabalhar, mas estou aqui. É um atraso de cem por cento», relatou um cidadão na Avenida 24 de Julho, onde se registam longas filas de viaturas e pessoas com recipientes para combustível.

Situações semelhantes foram reportadas na Matola-Gare e na vila de Boane, onde utentes enfrentam horas de espera sem garantias de abastecimento.


Tensão nas bombas e nas estradas


O ambiente nas bombas de combustível é descrito como tenso, com registo de discussões entre automobilistas e trabalhadores, sobretudo devido à falta de informação clara sobre a reposição de stocks.

As filas quilométricas têm igualmente impacto na circulação rodoviária, contribuindo para o agravamento do trânsito nas principais vias.

Paralelamente, a redução do número de «chapas» e autocarros em circulação está a forçar muitos cidadãos a percorrer longas distâncias a pé.


Governo adopta medidas excepcionais

Perante a persistência da crise, o Governo, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, aprovou um despacho de carácter excepcional, permitindo que retalhistas adquiram combustíveis a qualquer distribuidor licenciado, independentemente de contratos prévios.

A medida visa acelerar o reabastecimento dos postos e mitigar os impactos imediatos da escassez.


Incerteza quanto à normalização

Até ao momento, não há indicação clara sobre quando a situação poderá ser normalizada. Enquanto isso, cresce a preocupação entre cidadãos e operadores económicos quanto aos efeitos prolongados da crise.

Analistas alertam que, caso o problema persista, poderão surgir impactos mais profundos na actividade económica e no quotidiano das populações.

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