Suspeita de desvio de alimentos escolares leva três funcionários à custódia em Milange

 


Suspeita de desvio de alimentos escolares leva três funcionários à custódia em Milange

Uma denúncia apresentada pela comunidade escolar da EP de Nalicule, na ZIP de Chilo, em Milange, levou à recuperação de dezenas de quilogramas de alimentos destinados à alimentação escolar.

Os produtos estão ligados ao projecto PARES, que apoia a alimentação de alunos nas escolas abrangidas pela iniciativa.

Segundo uma nota informativa, a denúncia apontava para um possível desvio de produtos alimentares destinados aos alunos da Escola Primária de Nalicule, localizada na localidade de Licíro, Posto Administrativo de Milange-Sede.

Na sequência da denúncia, uma equipa composta por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), oficiais do PARES e representantes do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) deslocou-se ao local para averiguar a situação.

Durante a intervenção, foram recuperados produtos alimentares em diferentes locais, incluindo residências de funcionários da escola.

Na residência do director da escola, onde se encontrava em serviço, terão sido encontrados 14,65 quilogramas de feijão-nhemba, 12,22 quilogramas de arroz e 5,28 litros de óleo.

Já na residência do director-adjunto da escola, também identificado como estando em serviço, foram recuperados 29,26 quilogramas de arroz.

Numa terceira localização, concretamente na residência de uma professora situada na vila, a equipa terá encontrado 30 quilogramas de feijão-nhemba, 48,24 quilogramas de arroz, 7,42 quilogramas de cebola, 5,78 quilogramas de tomate e 9,12 quilogramas de repolho.

No mesmo local, foram igualmente contabilizados 35 litros de óleo e 12 latas vazias de óleo com capacidade de três litros cada.

Outros 48 quilogramas de produtos terão sido recuperados no local indicado como sendo da ocorrência, numa paragem.

Ao todo, os produtos recuperados incluem quantidades significativas de alimentos que, segundo a denúncia, estariam destinados ao programa de alimentação escolar.

A presença destes produtos em residências de funcionários não constitui, por si só, prova de apropriação indevida. A origem, destino e circunstâncias em que os alimentos chegaram aos diferentes locais deverão ser esclarecidos pelas autoridades durante a investigação.

Os funcionários mencionados encontram-se sob custódia no Comando Distrital da PRM em Milange, segundo a informação recebida, para os procedimentos subsequentes.

Até ao momento, não há indicação, na nota informativa, de uma decisão judicial que determine a responsabilidade criminal dos envolvidos.

O caso deverá agora passar pelas etapas de investigação e tramitação legal, durante as quais os suspeitos terão oportunidade de apresentar a sua versão dos acontecimentos.

A situação está a gerar atenção por envolver alimentos destinados à alimentação escolar, um programa particularmente sensível para comunidades onde as refeições fornecidas nas escolas constituem um importante incentivo à permanência das crianças no sistema de ensino.

As autoridades ainda deverão esclarecer se os produtos recuperados pertenciam efectivamente ao stock do programa PARES, como foram retirados dos locais de armazenamento e quem teria autorizado a sua movimentação, caso se confirme a origem indicada na denúncia.

Enquanto decorrem as averiguações, permanece válida a presunção de inocência dos indivíduos envolvidos.

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