Senador brasileiro viajou dois dias depois de perder as eleições presidenciais e não entregou os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo fixado pelo Supremo Tribunal Federal.
Brasília, 28 de Outubro de 2026 — O Presidente reeleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou como “vergonhosa” a saída do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, depois de o candidato do Partido Liberal (PL) ter perdido a segunda volta das eleições presidenciais, realizada a 25 de Outubro. A viagem ocorreu na terça-feira, 27 de Outubro, após o incumprimento do prazo judicial para entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF).
Lula reagiu durante um encontro com apoiantes no Palácio da Alvorada, em Brasília, por ocasião do seu 81.º aniversário. Na ocasião, criticou a decisão do adversário de deixar o Brasil enquanto decorrem investigações judiciais e defendeu que o senador deveria permanecer no País para responder às suspeitas que recaem sobre si.
“Esse acto de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte”, declarou o Presidente, segundo a Agência Brasil.
Lula recordou igualmente o seu próprio percurso judicial, afirmando que decidiu permanecer no Brasil quando enfrentou acusações e que se entregou à Polícia Federal em 2018 para contestar as acusações contra si.
“Quem não deve, não teme”, acrescentou.
Viagem ocorreu após prazo judicial
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), lhe ter determinado a entrega dos passaportes à Polícia Federal no âmbito de um inquérito.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o senador foi intimado na segunda-feira, 26 de Outubro, e dispunha de 24 horas para cumprir a determinação. O prazo terminou às 11 horas de terça-feira, sem que os documentos tivessem sido entregues.
A viagem aos Estados Unidos foi confirmada à Reuters por uma fonte do Governo norte-americano e por um aliado próximo do senador.
A circunstância de Flávio Bolsonaro ter deixado o território brasileiro depois de não cumprir o prazo judicial levantou questões sobre a execução da medida determinada pelo Supremo. Contudo, a informação disponível não permite concluir, por si só, que tenha atravessado a fronteira sem registo migratório ou que tenha utilizado documentos de terceiros.
Investigações judiciais
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal, incluindo um inquérito relacionado com suspeitas de branqueamento de capitais envolvendo o advogado Willer Tomaz, seu amigo.
As suspeitas estão a ser investigadas pelas autoridades brasileiras e não equivalem a uma condenação judicial. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam qualquer irregularidade, segundo as informações divulgadas pela imprensa brasileira.
A determinação relativa aos passaportes surgiu neste contexto judicial. A viagem para os Estados Unidos, por sua vez, ocorreu antes de o senador cumprir a ordem de entrega dos documentos dentro do prazo estabelecido.
Derrota eleitoral e tensão política
A saída do senador ocorreu dois dias depois da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. Lula foi reeleito a 25 de Outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro, de acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O resultado garantiu a Lula um quarto mandato presidencial, não consecutivo, enquanto Flávio Bolsonaro terminou a disputa na oposição.
A reacção do Presidente à viagem acrescentou um novo episódio de tensão entre os dois adversários, num momento em que as investigações judiciais envolvendo o senador continuam em curso.
Fontes: Agência Brasil, Reuters e Tribunal Superior Eleitoral do Brasil.

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