Enquanto muitos discutem política e escândalos, há uma obra gigantesca a crescer, silenciosamente, na entrada da Baía de Maputo.
Estamos a falar da nova ponte-cais da Ilha de Inhaca.
São 936 metros de extensão. Quase um quilómetro dentro do mar.
Sim, leu bem: quase um quilómetro.
E segundo os promotores, trata-se da maior ponte-cais do género no mundo.
Mas afinal, o que está mesmo a ser construído?
A antiga infraestrutura tinha apenas 120 metros e estava degradada desde 2013. Era exclusivamente pedonal e já não respondia às necessidades da ilha.
Agora, a nova estrutura:
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Permite circulação de veículos
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Pode receber viaturas de emergência até 5 toneladas
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Funciona em qualquer maré
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Está projectada para durar 50 anos
A obra está a ser financiada maioritariamente pela Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), concessionária do Porto de Maputo.
O investimento ronda os 13,5 milhões de dólares.
Por que isto interessa mais do que parece?
A Inhaca não é apenas um destino turístico de fim de semana.
É:
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Um dos principais pontos turísticos da província
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Centro relevante de investigação científica em biodiversidade
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Casa de mais de seis mil residentes
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Local estratégico à entrada da Baía de Maputo
Durante anos, a ligação foi frágil, irregular e dependente das condições do mar.
Com esta nova ponte, a logística muda. E quando a logística muda, a economia mexe.
Quem está por trás da obra?
A construção está a cargo da China Road and Bridge Corporation.
O contrato surge no âmbito da extensão da concessão portuária até 2058. Além disso, a MPDC integra esta ponte num pacote social de 15 milhões de dólares destinado a seis projectos comunitários.
Segundo dados oficiais, dezenas de trabalhadores moçambicanos já foram envolvidos na obra.
Turismo, comércio… ou estratégia maior?
É aqui que o assunto fica interessante.
Quando se investe numa infraestrutura desta dimensão, não se trata apenas de turismo.
Estamos a falar de:
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Melhorias na cadeia de abastecimento
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Aumento do fluxo comercial
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Maior capacidade de atração de investimento
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Valorização imobiliária da ilha
Pergunta legítima: a Inhaca pode estar a preparar-se para uma nova fase de desenvolvimento económico?
Conclusão direta
Num país onde muitas infraestruturas ficam pelo anúncio, esta obra já ultrapassou os 26% de execução e tem conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2026.
É uma daquelas histórias que passam discretas… mas que, daqui a alguns anos, todos vão citar como ponto de viragem.
Enquanto isso, a ponte cresce. Metro a metro.
E Moçambique também.
Fique atento. Há movimentos estratégicos a acontecer longe dos holofotes.
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