Moçambique: Frelimo exige esclarecimento Urgente sobre desvio de donativos das cheias em Gaza


A comissão política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) exigiu esclarecimento urgente e responsabilização exemplar no caso de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na cidade de Xai-Xai, província de Gaza.

Três funcionários públicos estão detidos, incluindo uma administradora distrital, suspeitos de envolvimento no esquema.


O que se sabe até agora

De acordo com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), os suspeitos foram surpreendidos no dia 22 de fevereiro de 2026, por volta das 20h00, nos armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a carregar produtos fora do horário estabelecido.

Entre os detidos estão:

  • A administradora do distrito de Xai-Xai

  • O diretor do gabinete da governadora de Gaza

  • Um fiel de armazém

As autoridades indicam que parte dos bens estava escondida nas residências dos implicados.

Produtos apreendidos

  • 41 fardos de roupa usada

  • 63 sacos de farinha de milho

  • 20 sacos de arroz (25 kg)

  • 3 caixas de óleo vegetal (2 litros)

  • 2 sacos de feijão-manteiga (50 kg)

  • 9 embalagens de açúcar

  • Vários colchões

O valor estimado dos produtos ronda os 300 mil meticais.


Posição oficial da Frelimo

O porta-voz Pedro Guiliche afirmou que o caso deve merecer “atenção urgente”, defendendo responsabilização administrativa e criminal, caso os elementos de prova o confirmem.

O partido afirma que dedicará “toda a sua energia” ao combate à corrupção e a comportamentos que contrariem os valores defendidos pela organização.

A declaração surge num contexto de crescente pressão pública para que casos de desvio de bens destinados a populações vulneráveis sejam tratados com rigor absoluto.


Dimensão da tragédia

Segundo o INGD:

  • 27 mortos apenas nas cheias de janeiro

  • 724.131 pessoas afetadas em Gaza

  • 240 mortos desde o início da época chuvosa (outubro)

  • Mais de 868 mil pessoas afetadas a nível nacional

Não se trata de números frios. São famílias que perderam casas, alimentos e meios de subsistência.

Quando donativos são desviados neste cenário, o impacto é direto e brutal.


Questões que precisam de resposta

  1. Como foi possível retirar produtos dos armazéns oficiais sem controlo imediato?

  2. Existem falhas nos mecanismos internos do INGD?

  3. Há mais funcionários envolvidos?

  4. Que medidas preventivas serão implementadas para evitar repetição?

O Sernic admite que as investigações continuam e não exclui o envolvimento de mais funcionários públicos.


O teste da credibilidade

Casos como este não podem terminar em silêncio processual. A sociedade exige:

  • Transparência total nas investigações

  • Julgamento célere

  • Sanções proporcionais

  • Reforço dos mecanismos de controlo

Moçambique enfrenta ciclos frequentes de cheias e calamidades naturais. A gestão da ajuda humanitária precisa de disciplina, fiscalização e responsabilidade institucional.

A detenção é apenas o início. O verdadeiro teste será a capacidade do sistema judicial de transformar este episódio num precedente firme contra a corrupção.

Porque, quando se mexe com donativos das cheias, mexe-se com a sobrevivência de quem já perdeu quase tudo.

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