CAF confirma sedes dos próximos Campeonatos Africanos e define quartos-de-final das competições de clubes


Em reunião do seu Comité Executivo realizada na última sexta-feira, na cidade tanzaniana de Dar es Salaam, a Confederação Africana de Futebol (CAF) tomou decisões cruciais para o calendário desportivo do continente. Foram confirmadas as sedes das próximas edições do Campeonato Africano das Nações (CAN) e oficializados os cruzamentos das fases decisivas da Liga dos Campeões e da Taça da Confederação.

A organização do CAN masculino de 2027 foi ratificada para a região da África Oriental, sob a égide conjunta de Quénia, Uganda e Tanzânia. A decisão reforça a confiança na capacidade logística destes países, que já haviam sido indicados para acolher o CHAN 2024. Paralelamente, a CAF encerrou as especulações em torno do CAN feminino de 2026, confirmando Marrocos como país anfitrião, apesar das intenções anteriormente manifestadas pela África do Sul de substituir o reino norte-africano.

O jornalista Sérgio Marcos, da TVM, em análise às decisões, destacou a relevância estratégica da manutenção do calendário competitivo:

“É uma notícia muito interessante a África manter-se firme no seu formato, pelo menos por agora, mantendo esta periodicidade de dois anos que vem sendo tradicional ao nível do continente africano.”

Marcos salientou ainda que a realização da prova na África Oriental representa a concretização de um antigo objectivo, sobretudo para o Quénia, após tentativas falhadas de acolher eventos organizados pela CAF.

No que concerne às competições de clubes, os resultados da sexta e última jornada da fase de grupos consolidaram o domínio das equipas do Magrebe. Na Liga dos Campeões da CAF, os quartos-de-final contarão com potências como Al Ahly e Pyramids (Egipto), RS Berkane e AS FAR (Marrocos), além do Espérance de Tunis (Tunísia). O sorteio ditou um embate de gigantes entre Espérance e Al Ahly, enquanto o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, enfrentará o Stade Malien, considerado a grande surpresa desta edição.

Uma das notas de maior destaque é o desempenho do Al Hilal, do Sudão, que, apesar da crise interna que afecta o seu país, garantiu a qualificação. Sérgio Marcos sublinha o papel do investimento estatal sudanês:

“Há uma forte intervenção para garantir que estas equipas se mantenham no patamar internacional, produzindo resultados que coloquem o Sudão bem posicionado no mapa diplomático internacional.”

Em sentido contrário, o futebol argelino registou um abrandamento na principal competição, com o MC Alger e o JS Kabylie a ficarem pelo caminho.

Na Taça da Confederação CAF, a tendência de domínio do Norte de África repete-se. Apuraram-se duas equipas de Marrocos (Wydad Casablanca e Olympic Safi), duas do Egipto (Zamalek e Al Masry) e duas da Argélia (CR Belouizdad e USM Alger). Os representantes da África subsaariana nesta fase serão o Maniema Union (RD Congo) e o AS Otohô (Congo-Brazzaville). O sorteio definiu confrontos regionais intensos, como o duelo marroquino entre Olympic Safi e Wydad Casablanca, bem como o embate entre Al Masry e CR Belouizdad.

A nível técnico, destaca-se a movimentação no mercado de treinadores. O francês Patrice Beaumelle assumiu o comando do Espérance de Tunis, após rescindir com a selecção de Angola, enquanto o senegalês Lamine N’Diaye regressa para orientar o USM Alger. 

Estas mudanças ocorrem num momento em que as competições entram na fase mais decisiva, onde, como refere Marcos, é fundamental que “as competições se realizem efectivamente no local e no período previsto”, garantindo estabilidade e credibilidade ao futebol africano.

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