Moçambique enfrenta desaceleração económica em 2026: Oxford Economics prevê queda do PIB e produção do Coral Sul, FMI reforça alertas


Em dezembro de 2025, a consultora britânica Oxford Economics revisou as suas projeções sobre a economia moçambicana, antecipando que 2026 seria um ano mais difícil do que se previa. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 3,8% para 2,5%, refletindo a expectativa de queda na produção do gás natural liquefeito no projeto Coral Sul, combinado com restrições fiscais que limitam o dinamismo económico.

O cenário agora se confirma com o posicionamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o maior credor externo de Moçambique, que em fevereiro de 2026 apontou para a necessidade de consolidação fiscal mais rigorosa, fortalecimento das receitas internas e implementação de reformas estruturais. A postura do FMI reforça que a previsão da Oxford Economics não é apenas teórica, mas baseada em fatores concretos de produção e financiamento que já estão a impactar a economia do país.

A redução da produção no Coral Sul tem impactos diretos. Este campo de gás é um dos pilares do crescimento económico e fonte importante de receitas de exportação. Qualquer recuo na produção de gás ou condensados afeta não apenas o PIB, mas também a balança comercial e a capacidade do Estado de financiar investimentos e serviços públicos. Os trabalhos de manutenção e ajustes operacionais previstos para 2026 reduzem a capacidade produtiva do projeto, pressionando negativamente o crescimento económico geral.

O setor agrícola deve apresentar crescimento moderado. Apesar de safras relativamente regulares, limitações na infraestrutura e custos elevados de insumos reduzem a capacidade de expansão do setor. Já os serviços urbanos, incluindo comércio e turismo, enfrentam desaceleração devido à menor confiança do consumidor e às restrições fiscais. A prudência económica da população diante da incerteza sobre preços, empregos e investimentos diminui a movimentação económica, afetando o ritmo de expansão deste setor.

A indústria não energética também apresenta crescimento limitado. Setores como construção e manufatura podem crescer, mas o acesso ao crédito caro e a incerteza económica restringem a expansão. Investidores privados tendem a adiar decisões de capital diante das previsões mais baixas de retorno e das pressões fiscais, contribuindo para um crescimento mais contido.

A divergência entre as previsões do governo, de consultoras internacionais e do FMI é notória. O governo de Moçambique mantém uma visão mais otimista, projetando crescimento de 3,8%, baseado na confiança de que a produção de gás se manterá estável e que os investimentos públicos estimularão a economia. Oxford Economics, em dezembro de 2025, projetou 2,5%, considerando a queda programada na produção do Coral Sul e as restrições fiscais. O FMI, avaliando o país em fevereiro de 2026, prevê crescimento de 2,4%, reforçando a necessidade de políticas de contenção e reformas estruturais.

O alerta emitido em dezembro de 2025 já tem efeitos práticos em 2026. A previsão de crescimento reduzido significa menos empregos, menor criação de oportunidades de negócios, redução das receitas do Estado e menor capacidade de investimento em setores essenciais como saúde, educação e infraestrutura. A desaceleração económica também pode gerar efeitos indiretos, incluindo maior cautela por parte de investidores estrangeiros, volatilidade cambial e pressão sobre a inflação, especialmente em bens essenciais.

Em resumo, Moçambique enfrenta em 2026 um cenário económico mais desafiador. A previsão de crescimento do PIB abaixo de 3%, a queda na produção de gás e os alertas do FMI indicam um ano de ajustes, contenção fiscal e menor dinamismo económico. A forma como o país gerirá esses desafios determinará se a economia conseguirá manter estabilidade e crescimento sustentado ou se entrará num ciclo de desaceleração prolongada.

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