“Não é crime ter dívida”, diz edil da Matola no CIP CAST ao justificar passivo de 1.7 mil milhões


Júlio Parruque defende endividamento do município durante participação no CIP CAST e afirma que investimento é estratégico

O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, afirmou ontem, quarta-feira, durante a sua participação no CIP CAST, que “não é crime ter dívida”, ao comentar o passivo do município estimado em 1.7 mil milhões de meticais, segundo dados do Relatório de Riscos Fiscais.

A intervenção ocorreu no espaço promovido pelo Centro de Integridade Pública (CIP), onde o edil respondeu a questões relacionadas com a saúde financeira da autarquia, apontada como a mais endividada do país.

Dívida inclui edifício municipal

Durante o CIP CAST, Parruque esclareceu que o valor da dívida inclui o financiamento considerado estratégico para a construção do novo edifício municipal.

“Não é crime ter dívida e até às vezes eu prefiro ter dívida do que buscar de forma ilícita ou entregar a Matola a cartéis ou grupos de interesse”, declarou o edil no CIP CAST.

O presidente do município defendeu que o recurso ao crédito bancário representa uma alternativa transparente para viabilizar investimentos estruturantes.

Pagamento mensal de 28 milhões ao BCI

Ainda no CIP CAST, Júlio Parruque revelou que o município paga cerca de 28 milhões de meticais mensais ao BCI, no âmbito do financiamento contraído.

Apesar do encargo, o autarca sustentou que o investimento em infra-estruturas é “impagável”, argumentando que a centralização de serviços permitirá ganhos administrativos e aumento de receitas no médio prazo.

Meta de arrecadação anual de 1 mil milhão

Durante a sua intervenção no CIP CAST, o edil anunciou como meta atingir 1 mil milhão de meticais por ano em receita própria.

Contudo, reconheceu que as manifestações políticas registadas no ano passado tiveram impacto nas finanças municipais, provocando uma queda de 3.7% na arrecadação própria.

“Estamos a lutar para descer [a pobreza], mas no nosso destino não é a pobreza”, afirmou Júlio Parruque no CIP CAST, defendendo que o investimento público é condição para o desenvolvimento económico local.

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