Suposto agente da polícia e funcionário municipal detidos por extorsão em Marracuene


Uma operação conjunta entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) resultou na detenção, em flagrante delito, de dois indivíduos com menos de 30 anos de idade, indiciados por prática de extorsão contra um agente económico na vila de Marracuene.

Os suspeitos incluem um funcionário do município e outro que se fazia passar por agente da PRM, alegadamente afecto à cidade de Maputo. Ambos são acusados de montar um esquema fraudulento para desviar valores que deveriam entrar nos cofres do Estado.

FONTE: MIRAMAR

Esquema envolvia 350 mil meticais

A vítima é um operador turístico que acumulava multas e taxas municipais, totalizando cerca de 500 mil meticais. Aproveitando-se da situação, o funcionário municipal terá orientado o comparsa a contactar o empresário, propondo um suposto “alívio” da dívida.

De acordo com as autoridades, os suspeitos pretendiam receber 350 mil meticais para reduzir ilegalmente a multa, causando prejuízos directos ao município.

O plano foi travado após o empresário denunciar o caso às autoridades. A detenção ocorreu numa estância turística no bairro Debés, quando um dos indiciados se preparava para receber 150 mil meticais, parte do valor previamente acordado.

Município rejeita pagamentos em numerário

O presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, rejeitou qualquer possibilidade de pagamentos em dinheiro no processo de regularização de dívidas fiscais.

“Neste município não se paga nada em dinheiro”, afirmou, esclarecendo que os pagamentos são efectuados exclusivamente através de bancos comerciais e carteiras móveis como M-Pesa e E-mola.

O autarca acrescentou ainda que os suspeitos recorriam a documentos e carimbos falsificados para enganar as vítimas.

PRM investiga identidade do falso agente

Por sua vez, a porta-voz da PRM, Carmínia de Barros Leite, confirmou que decorrem investigações para apurar a real identidade do indivíduo que se fazia passar por agente policial.

“Caso se confirme que é membro da corporação, será responsabilizado disciplinarmente, pois não é função da PRM praticar actos criminais”, afirmou.

Material apreendido levanta suspeitas

Durante a operação, as autoridades apreenderam diversos objectos na viatura dos suspeitos, incluindo:

  • Máscara policial

  • Algemas e coletes

  • Chapas de matrícula estrangeiras

  • Um canivete

  • Linhas coloridas conhecidas por “xfungo”

Suspeitos negam acusações

Apesar das evidências, os detidos rejeitam as acusações de extorsão. Um deles alegou que apenas se deslocou ao local a convite do empresário para uma conversa informal, enquanto o outro afirmou que pretendia ajudar a encontrar uma solução legal para o pagamento da dívida, incluindo a possibilidade de liquidação em prestações.

Terceiro suspeito em fuga

As autoridades indicam que decorrem diligências para localizar um terceiro indivíduo envolvido no esquema, actualmente em fuga.

O caso segue agora para as instâncias judiciais, onde será submetido aos trâmites legais para julgamento.



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