O Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) celebrou os 30 anos de existência com uma gala comemorativa que reuniu membros do governo, parceiros nacionais e internacionais, investigadores, diplomatas e colaboradores para celebrar três décadas de contributo para a ciência e para o desenvolvimento da saúde em Moçambique e em África. Sob o lema "Três Décadas de Ciência, Impacto e Futuro", a cerimónia foi marcada por reflexões sobre o percurso da instituição, os desafios da investigação em saúde no continente e pelo reconhecimento de personalidades e instituições que ajudaram a construir a história do CISM.
O programa incluiu intervenções institucionais da Representante do Município de Maputo, Alice de Abreu, do Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manhiça, Martinho Dgedge, e da Directora de Cooperação com África, Mundo Árabe e Ásia da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), Cecilia García Gasalla, que sublinharam a importância das parcerias internacionais para o crescimento da investigação em saúde no país.
Um dos momentos centrais da gala foi o bloco temático dedicado aos 30 anos de Ciência, Impacto e Futuro, durante o qual antigos e actuais líderes científicos revisitaram a trajectória do CISM. O fundador científico da instituição, Pedro Alonso, abordou a visão que esteve na origem da criação do centro, enquanto o Director-Geral do CISM, Francisco Saúte, apresentou os principais marcos alcançados e os desafios que se colocam para as próximas décadas. Por sua vez, o actual responsável da área da malária no CISM, Pedro Aide, destacou o papel desempenhado pelo Centro no desenvolvimento da vacina RTS,S contra a malária, um dos maiores avanços científicos em que a instituição esteve envolvida.
A cerimónia proporcionou igualmente uma reflexão sobre o futuro da investigação em saúde em África, reunindo especialistas internacionais para discutir o fortalecimento de ecossistemas científicos liderados pelo continente. Entre os intervenientes estiveram Yap Boum II, dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), e Salim Abdool Karim, director do CAPRISA, que partilharam experiências sobre o desenvolvimento de capacidade científica africana e a necessidade de reforçar a investigação como instrumento de resposta aos desafios de saúde pública.
Além das intervenções científicas, a gala integrou momentos culturais que procuraram simbolizar a ligação entre ciência, identidade e comunidade, reforçando a mensagem de que o desenvolvimento científico também se constrói através da participação das populações e da valorização da cultura.
Homenagens marcam momento mais simbólico da celebração
Um dos momentos marcantes da gala foi a cerimónia de homenagens, durante a qual a Fundação Manhiça e o CISM distinguiram personalidades, instituições e colaboradores cujo contributo foi considerado determinante para a criação, consolidação e projecção internacional da instituição. Na ocasião, Martinho Dgedge destacou que os homenageados representam simbolicamente milhares de colaboradores, parceiros e comunidades que fizeram parte desta caminhada de três décadas. As distinções foram organizadas em quatro categorias: Governação e Desenvolvimento Institucional, Contributo Humano e Serviço à Instituição, Contributo Científico e Distinções Honoríficas Especiais.
Na categoria de Governação e Desenvolvimento Institucional foram distinguidos Óscar Monteiro, Rui Gama, Aurélio Zilhão, Abdul Razak Noormahomed, Orlando Quilambo e, a título póstumo, Ricardo Thompson, reconhecidos pelo seu papel na criação do CISM, no fortalecimento institucional, na liderança científica e na promoção da investigação em saúde.
Na categoria de Contributo Humano e Serviço à Instituição, receberam distinções os Serviços Provinciais de Saúde de Maputo, os Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social de Manhiça, as Comunidades de Manhiça e quatro colaboradores históricos do CISM — Cecília Zita, Samira Ismael Sirage, Crisóstomo Fonseca e Madalena Ripinga — reconhecidos pela dedicação e pelo serviço prestado ao longo de quase três décadas.
O investigador Inácio Mandomando foi distinguido na categoria de Contributo Científico, em reconhecimento pela sua liderança na investigação em saúde, formação de investigadores e projecção internacional da ciência produzida em Moçambique. Já as Distinções Honoríficas Especiais foram atribuídas ao Dr. Eusébio Macete, em reconhecimento do seu contributo para o crescimento científico e institucional do CISM, e à Dra. Graça Machel, pelo seu compromisso permanente com o desenvolvimento humano e pelo apoio ao fortalecimento institucional da Fundação Manhiça.
Ao encerrar a cerimónia, a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levy em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou o compromisso do Governo com o fortalecimento da investigação científica como pilar do desenvolvimento nacional. Na mensagem, destacou que "o CISM é uma das mais extraordinárias histórias de sucesso da ciência moçambicana", resultado da conjugação entre visão, liderança, cooperação internacional e confiança das comunidades.
A primeira ministra, reiterou ainda que o Governo continuará a apoiar a investigação científica, a inovação e a formação de recursos humanos, defendendo que "investir na ciência não é um luxo, é uma necessidade estratégica" para responder aos desafios sanitários e promover o desenvolvimento do país. "Que os próximos trinta anos sejam de ainda mais ciência, mais inovação, mais impacto e mais oportunidades para o nosso país e para o continente africano" acrescentou.
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