30 anos do CISM: Gala homenageia pioneiros e renova ocompromisso com o futuro da investigação em saúde em áfrica

 


O Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) celebrou os 30 anos de existência com uma gala comemorativa que reuniu membros do governo, parceiros nacionais e internacionais, investigadores, diplomatas e colaboradores para celebrar três décadas de contributo para a ciência e para o desenvolvimento da saúde em Moçambique e em África. Sob o lema "Três Décadas de Ciência, Impacto e Futuro", a cerimónia foi marcada por reflexões sobre o percurso da instituição, os desafios da investigação em saúde no continente e pelo reconhecimento de personalidades e instituições que ajudaram a construir a história do CISM.

A gala contou com a presença da Primeira-Ministra da República de Moçambique, Maria Benvinda Levy, do Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse e de representantes da cooperação internacional, de dirigentes científicos nacionais e estrangeiros, bem como parceiros que acompanharam a evolução do CISM desde a sua criação, em 1996. Ao longo da cerimónia foi destacado o papel da instituição na produção de conhecimento científico, na formação de recursos humanos e na inovação em saúde, consolidando-se como um centro de excelência reconhecido em Moçambique, em África e internacionalmente.

O programa incluiu intervenções institucionais da Representante do Município de Maputo, Alice de Abreu, do Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manhiça, Martinho Dgedge, e da Directora de Cooperação com África, Mundo Árabe e Ásia da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), Cecilia García Gasalla, que sublinharam a importância das parcerias internacionais para o crescimento da investigação em saúde no país.


Um dos momentos centrais da gala foi o bloco temático dedicado aos 30 anos de Ciência, Impacto e Futuro, durante o qual antigos e actuais líderes científicos revisitaram a trajectória do CISM. O fundador científico da instituição, Pedro Alonso, abordou a visão que esteve na origem da criação do centro, enquanto o Director-Geral do CISM, Francisco Saúte, apresentou os principais marcos alcançados e os desafios que se colocam para as próximas décadas. Por sua vez, o actual responsável da área da malária no CISM, Pedro Aide, destacou o papel desempenhado pelo Centro no desenvolvimento da vacina RTS,S contra a malária, um dos maiores avanços científicos em que a instituição esteve envolvida.


A cerimónia proporcionou igualmente uma reflexão sobre o futuro da investigação em saúde em África, reunindo especialistas internacionais para discutir o fortalecimento de ecossistemas científicos liderados pelo continente. Entre os intervenientes estiveram Yap Boum II, dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), e Salim Abdool Karim, director do CAPRISA, que partilharam experiências sobre o desenvolvimento de capacidade científica africana e a necessidade de reforçar a investigação como instrumento de resposta aos desafios de saúde pública.


Além das intervenções científicas, a gala integrou momentos culturais que procuraram simbolizar a ligação entre ciência, identidade e comunidade, reforçando a mensagem de que o desenvolvimento científico também se constrói através da participação das populações e da valorização da cultura.

Homenagens marcam momento mais simbólico da celebração


Foto de ocasião com os homenageados no evento
Foto de ocasião com os homenageados no evento

Um dos momentos marcantes da gala foi a cerimónia de homenagens, durante a qual a Fundação Manhiça e o CISM distinguiram personalidades, instituições e colaboradores cujo contributo foi considerado determinante para a criação, consolidação e projecção internacional da instituição. Na ocasião, Martinho Dgedge destacou que os homenageados representam simbolicamente milhares de colaboradores, parceiros e comunidades que fizeram parte desta caminhada de três décadas. As distinções foram organizadas em quatro categorias: Governação e Desenvolvimento Institucional, Contributo Humano e Serviço à Instituição, Contributo Científico e Distinções Honoríficas Especiais.


Na categoria de Governação e Desenvolvimento Institucional foram distinguidos Óscar Monteiro, Rui Gama, Aurélio Zilhão, Abdul Razak Noormahomed, Orlando Quilambo e, a título póstumo, Ricardo Thompson, reconhecidos pelo seu papel na criação do CISM, no fortalecimento institucional, na liderança científica e na promoção da investigação em saúde.


Na categoria de Contributo Humano e Serviço à Instituição, receberam distinções os Serviços Provinciais de Saúde de Maputo, os Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social de Manhiça, as Comunidades de Manhiça e quatro colaboradores históricos do CISM — Cecília Zita, Samira Ismael Sirage, Crisóstomo Fonseca e Madalena Ripinga — reconhecidos pela dedicação e pelo serviço prestado ao longo de quase três décadas.


O investigador Inácio Mandomando foi distinguido na categoria de Contributo Científico, em reconhecimento pela sua liderança na investigação em saúde, formação de investigadores e projecção internacional da ciência produzida em Moçambique. Já as Distinções Honoríficas Especiais foram atribuídas ao Dr. Eusébio Macete, em reconhecimento do seu contributo para o crescimento científico e institucional do CISM, e à Dra. Graça Machel, pelo seu compromisso permanente com o desenvolvimento humano e pelo apoio ao fortalecimento institucional da Fundação Manhiça.


Ao encerrar a cerimónia, a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levy em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou o compromisso do Governo com o fortalecimento da investigação científica como pilar do desenvolvimento nacional. Na mensagem, destacou que "o CISM é uma das mais extraordinárias histórias de sucesso da ciência moçambicana", resultado da conjugação entre visão, liderança, cooperação internacional e confiança das comunidades.


A primeira ministra, reiterou ainda que o Governo continuará a apoiar a investigação científica, a inovação e a formação de recursos humanos, defendendo que "investir na ciência não é um luxo, é uma necessidade estratégica" para responder aos desafios sanitários e promover o desenvolvimento do país. "Que os próximos trinta anos sejam de ainda mais ciência, mais inovação, mais impacto e mais oportunidades para o nosso país e para o continente africano" acrescentou.

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