Pagamentos digitais reforçam resposta de saúde em Moçambique
A digitalização dos pagamentos está a ganhar espaço nas campanhas de saúde pública em Moçambique, permitindo que milhares de trabalhadores envolvidos em operações de vacinação e outras intervenções recebam os seus valores através do telemóvel, em vez do tradicional pagamento em numerário.
A experiência, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Moçambique através do sistema Mobile Money (MOMO), voltou a demonstrar a sua importância durante a segunda ronda da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, realizada entre 17 e 20 de Junho de 2026.
Segundo a OMS para África, a campanha decorreu em 64 distritos de sete províncias — Gaza, Manica, Tete, Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado — e tinha como meta vacinar mais de seis milhões de crianças menores de cinco anos.
Foi neste contexto que vacinadores, supervisores, mobilizadores comunitários e equipas de apoio receberam os seus pagamentos através do MOMO, reduzindo a necessidade de movimentar grandes quantidades de dinheiro físico e permitindo que os intervenientes permanecessem concentrados nas actividades de vacinação.
A OMS para África explica que, desde 2024, a sua representação em Moçambique tem liderado a utilização do MOMO para efectuar pagamentos a trabalhadores envolvidos em campanhas de saúde pública e outras intervenções de emergência.
Até Agosto de 2026, mais de 14,4 milhões de dólares norte-americanos já tinham sido canalizados através desta solução para cerca de 246 mil beneficiários em todo o país.
Do dinheiro em numerário ao telemóvel
A mudança procura responder a alguns dos principais desafios logísticos enfrentados durante campanhas de grande escala, sobretudo em zonas onde as distâncias são longas e o acesso aos serviços financeiros é limitado.
De acordo com a OMS, a substituição dos pagamentos em numerário por transferências através do telemóvel tornou o processo mais rápido, seguro, transparente e inclusivo, ao mesmo tempo que reduziu os riscos e os custos associados ao transporte e distribuição física de dinheiro.
Um dos rostos desta transformação é Manansses Rosário, de 30 anos, ponto focal do MOMO no Centro de Saúde de Luia, no distrito de Chifunde, província de Tete.
Com recurso ao seu telemóvel Android e apoio da Super Trainer provincial, Rosário é responsável por cadastrar os trabalhadores na plataforma, acompanhar a presença dos colegas durante a campanha e garantir que os dados necessários estejam correctos para que os pagamentos sejam processados.
“Esta é a minha segunda campanha de vacinação contra a pólio como ponto focal do MOMO e tem sido muito simples desempenhar esta função”, conta Rosário, citada pela OMS. A profissional acrescenta que, depois da formação, conseguiu cadastrar os colegas e acompanhar a sua presença sem dificuldades.
OMS vê oportunidade para fortalecer o sistema de saúde
Para a OMS, o impacto do MOMO vai além da simples transferência de dinheiro.
Gwinyayi Chikonzo, Oficial Interino de Operações da OMS em Moçambique, considera que a digitalização dos pagamentos representa um avanço na forma como as campanhas de saúde são apoiadas.
Segundo Chikonzo, a solução permite tornar os processos mais eficientes, transparentes e inclusivos, reforçando simultaneamente a prestação de contas e criando um registo digital das transacções realizadas.
A organização considera ainda que o sistema beneficia os parceiros que financiam as intervenções de saúde, uma vez que os pagamentos electrónicos facilitam a rastreabilidade dos recursos, melhoram a monitoria e reforçam a transparência na utilização dos fundos.
Digitalização acompanha desafios das campanhas de vacinação
A aposta nos pagamentos digitais surge num momento em que Moçambique continua a mobilizar grandes equipas para alcançar crianças em comunidades remotas.
Na segunda ronda da campanha contra a poliomielite, a OMS reportou que a operação envolveu sete províncias e procurou melhorar o desempenho registado na ronda anterior, na qual apenas 57,1% dos distritos tinham atingido os padrões de desempenho esperados.
Na província de Tete, por exemplo, foram disponibilizadas 1.390.394 doses de vacina e mobilizadas cerca de 1.597 equipas fixas e porta-a-porta para alcançar as crianças elegíveis, incluindo aquelas residentes em comunidades mais remotas.
É neste tipo de operações que a OMS considera que soluções digitais como o MOMO podem assumir um papel estratégico: não substituem o trabalho dos profissionais e voluntários no terreno, mas ajudam a garantir que os recursos destinados a essas equipas cheguem de forma mais eficiente aos beneficiários.
A experiência moçambicana mostra, assim, que a transformação digital no sector da saúde não se limita aos sistemas de informação clínica ou à vigilância epidemiológica. Inclui também a forma como os recursos financeiros chegam aos trabalhadores que estão na linha da frente das campanhas.
Para a OMS, num país onde as distâncias, os desafios logísticos e a inclusão financeira continuam a constituir obstáculos, o Mobile Money pode aproximar os recursos das pessoas e, ao mesmo tempo, contribuir para uma resposta de saúde pública mais eficiente e responsável.
Fonte: Organização Mundial da Saúde — Escritório Regional para África (OMS África), reportagem publicada a 10 de Agosto de 2026. Consultar a reportagem original da OMS África
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