MEMÓRIAS DA PAZ: JOAQUIM CHISSANO REVELA OS BASTIDORES DE ROMA, A DIPLOMACIA SECRETA E OS DESAFIOS DA DEMOCRACIA EM MOÇAMBIQUE
Em grande entrevista exclusiva transmitida por ocasião dos 34 anos do Acordo Geral de Paz, o antigo Chefe de Estado recorda a pergunta decisiva feita a Afonso Dhlakama, contesta a classificação de 'guerra civil' e analisa a crise em Cabo Delgado e o Diálogo Nacional Inclusivo.
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ÓRGÃO
DE INFORMAÇÃO: Moçambique Notícias | AUTORIA:
Ivone
Vicente (Editoria de Política e Sociedade)
| DATA: 5 de
Outubro de 2026 |
O antigo Presidente da
República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, afirmou categoricamente que
a consolidação da paz e da estabilidade democrática no país depende do reforço
permanente da confiança mútua, do respeito estrito pelas instituições constitucionais
e do recurso inabalável ao diálogo inclusivo. Numa grande entrevista concedida
à Televisão de Moçambique (TVM) em parceria com o jornal Domingo, por ocasião
da celebração dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) —
alcançado em Roma a 4 de Outubro de 1992 —, o histórico estadista moçambicano
desvendou detalhes inéditos sobre a diplomacia secreta dos anos de chumbo,
reconstituiu as rotas negociais entre Nairóbi, Blantyre e Sant'Egidio,
contestou a narrativa ocidental sobre a natureza da guerra dos 16 anos e
explicou as razões de fundo que levaram Moçambique a rejeitar uma Comissão de
Verdade e Reconciliação nos moldes sul-africanos. Numa intervenção marcada por
um apelo directo à responsabilidade dos adultos na transmissão da memória histórica,
Chissano advertiu contra a manipulação da juventude e traçou directrizes para o
sucesso do actual Diálogo Nacional Inclusivo.
O Encontro Decisivo em Roma: A Pergunta Humana que Selou a Paz Antes
da Caneta
Um dos
momentos mais marcantes da reconstituição histórica apresentada por Joaquim
Chissano diz respeito ao primeiro contacto directo mantido com o falecido líder
da RENAMO, Afonso Dhlakama, nos bastidores do hotel de Roma onde se encontrava
hospedado o então Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe. Acompanhado pelo
empresário britânico Tiny Rowland e por interlocutores internacionais, Dhlakama
apresentou-se perante o Chefe de Estado moçambicano num clima de extrema
contenção e expectativa.
Subvertendo
o protocolo formal das chancelarias diplomáticas, Chissano dirigiu-se
imediatamente ao líder rebelde com uma interpelação directa e desarmante,
destinada a testar a verdadeira intenção política do seu interlocutor. O antigo
Presidente fez questão de partilhar a citação directa e contínua desse momento
fundacional da reconciliação nacional:
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«...o
encontro com o presidente da RENAMO em Roma, no hotel onde se hospedava o
presidente Robert Mugabe, e Dhlakama veio com o Tiny Rowland e Al-Kassar para
nos encontrarmos de novo. Não foi tete-a-tete porque estava lá o Mugabe
também, como no caso de Gaborone. E lembro-me do cumprimento quando o Tiny
Rowland me apresenta: 'Está aqui o senhor Dhlakama'. A primeira coisa que eu
perguntei a ele era se ele queria a paz. Eu disse: 'Queres a paz?' E ele
ficou... não esperava a pergunta, mas depois ganhou calma e disse: 'Sim,
quero a paz'. Então eu estendi a mão e disse: 'Está aqui a paz, agora podemos
ir falar outras coisas, a paz já está aqui'.» |
Interrogado sobre os motivos que o levaram a formular uma pergunta tão directa num momento de altíssima tensão política, Chissano revelou que a sua intuição derivou de uma lição diplomática aprendida anos antes durante contactos informais com interlocutores sul-africanos. Segundo o antigo Chefe de Estado, a tradição africana atribui ao compromisso de honra verbal uma força jurídica e moral superior à própria assinatura formal de documentos:
|
«...eu
já tinha tido uma experiência semelhante de encontro com antigos adversários
ou até inimigos e que, para continuarmos a conversa, começaram com essa
pergunta. Tratava-se de sul-africanos que disseram: 'Nós estamos aqui em paz
e podemos celebrar a paz', e diziam que lá, entre nós os africanos, isto é
mais importante do que a assinatura da caneta. Então eu retive esta imagem e
disse: 'Olha, vamos fazer a mesma coisa para falarem os corações e, antes de
mais nada, para discutirmos em paz já entre nós os dois'.» |
Este
gesto em Roma foi antecedido por um encontro informal e descontraído em
Gaborone, capital do Botswana, sob os auspícios do Presidente Quett Masire e
com a presença do dirigente da RENAMO, Vicente Ululu. Chissano recordou que
esse jantar de trabalho, pontuado por anedotas e momentos de descontracção, foi
determinante para 'desbloquear o gelo' e imprimir celeridade aos trabalhos
negociais que se encontravam estagnados.
A Geopolítica da Mediação: Da Rota de Nairóbi e Malawi à Comunidade de
Sant'Egidio
A
reconstituição do caminho até à mesa final de negociações revelou a
complexidade geopolítica das pontes diplomáticas estabelecidas pelo Governo
moçambicano. Chissano explicou que os primeiros contactos indirectos com a
RENAMO remontam ao mandato do Presidente Samora Machel, através do Ministério
dos Negócios Estrangeiros do Quénia, onde o diplomata Bethwell Kiplagat
mantinha ligações fluídas com o enviado moçambicano, o falecido diplomata
Fernando.
Contudo,
após a transição presidencial em Maputo, o Governo constatou que o
intermediário queniano ultrapassava o seu mandato de mero transmissor de
mensagens, procurando impor consensos próprios. Perante tal cenário, Chissano
deslocou-se a Nairóbi e propôs formalmente ao Presidente Daniel arap Moi que
assumisse o papel oficial de mediador, em co-mediação com o Presidente
zimbabueano Robert Mugabe.
A rutura
com a calha de Nairóbi ocorreu quando arap Moi convidou subitamente o Executivo
moçambicano para assinar um acordo pré-elaborado sem que tivessem ocorrido
negociações directas entre as partes. Percebendo a forte ligação da RENAMO à
liderança queniana, o Governo moçambicano exigiu a alteração do local dos
encontros para Blantyre, no Malaue, alegando razões de contenção orçamental —
dado que o orçamento do Estado moçambicano financiava as deslocações das
delegações — e proximidade geográfica com as bases do interior.
|
«...o
que se passou foi que, quando a nossa delegação chegou ao Malaui, esperou
pela delegação da RENAMO, e a delegação da RENAMO, quando chegou,
desapareceu. E então foi preciso encontrar uma saída. Propusemos que fôssemos
ver um lugar na Europa, e o Vaticano era uma indicação nossa para isso, ver
se era possível fazer alguma coisa. Mas também a RENAMO tinha a mesma ideia;
nós mandámos duas delegações sem combinar nada, calhou, porque eu suponho que
a RENAMO teve o conselho do bispo da Beira, Dom Jaime Gonçalves, que estava
ligado à Comunidade de Santo Egídio. E foram dar a Santo Egídio. E quando a
nossa delegação chegou lá, também teve contactos com amigos italianos do
Governo italiano e do Parlamento italiano que eram amigos desse delegado que
nós enviámos... e estabeleceu-se que as conversações haviam de ter lugar em
Santo Egídio.» |
A Escolha de Armando Guebuza: Treino Militar, Perfil Analítico e a
'Tolerância da Desconfiança'
Um dos
pontos altos da entrevista incidiu sobre os critérios rigorosos que nortearam a
nomeação de Armando Emílio Guebuza para chefiar a delegação do Governo de
Moçambique nas negociações de Roma. Joaquim Chissano destacou a vasta bagagem
político-militar do seu sucessor, relembrando o seu treino militar em
Nachingwea e Moscovo, o seu desempenho como comissário político da FRELIMO
durante a luta de libertação e o seu papel crucial como ministro residente na
Beira, no auge das operações militares no centro do país.
Para além
do conhecimento profundo do terreno e da experiência negociadora prévia nas
conversações de Pretória e no Acordo de Incomáti, Chissano enfatizou o perfil
psicológico singular de Guebuza, caracterizado por uma postura analítica e
extremamente cautelosa:
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«...ele
conhecia o país, conhecia os lugares da guerra, tinha sido comissário
político e ministro residente na Beira, portanto no centro do país onde a
guerra era mais intensa. Tinha uma preparação para discutir as questões do
país e conhecia muito bem o que nós desejávamos. Mas há uma característica
que eu conheço do camarada Guebuza: ele é muito atento e inquiridor, não
aceita algo antes de realmente compreender bem, de fazer perguntas. Tem o
sentido de tolerância, sim, mas ele primeiro tem de desconfiar, como diziam
os nossos instrutores em Nachingwea, dizer que era necessário 'confiar muito
e desconfiar um pouco'. Ele tinha estas características, então permitiam-lhe
não aceitar de imediato, mas trabalhar o assunto para depois aceitar.» |
Reinterpretação Histórica: A Ingerência Externa e a Falsa Tese da
'Guerra Civil'
Com a
frontalidade que o caracteriza, Joaquim Chissano rejeitou categoricamente a
simplificação historiográfica que rotula o conflito dos 16 anos como uma mera
'guerra civil', sublinhando a intervenção maciça de potências estrangeiras que
instrumentalizaram a insurreição armada contra o jovem Estado moçambicano.
O antigo
Chefe de Estado elencou factos militares incontestáveis, incluindo o uso de
drones sul-africanos sobre a capital, os bombardeamentos rodesianos à ponte de
Macarretane e a destruição estratégica dos tanques de combustível do porto da
Beira pelas forças do regime do apartheid:
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«...eu
não gosto de falar muito de guerra civil em Moçambique, e sobretudo se
pusermos todos os 16 anos, porque estamos a esquecer Ian Smith, estamos a
esquecer os sul-africanos, estamos a esquecer daquele avião que passou por
cima desta casa e foi cair no mar aqui, que era um drone dos sul-africanos.
Estamos a esquecer o bombardeamento da ponte de Macarretane, estamos a
esquecer a explosão dos tanques de combustível na Beira... Então essa guerra
civil é um pouco esquisita, é uma guerra com muitas interferências externas.» |
Na
análise dos factores que prolongaram as hostilidades por mais de uma década e
meia, Chissano revelou uma contradição histórica decisiva ocorrida após a
independência do Zimbabwe em 1980. O antigo Presidente contou que o general
britânico Peter Walls, comandante das forças armadas da ex-Rodésia, deslocou-se
a Maputo a pedido do Presidente Samora Machel e comprometeu-se, perante a
chefia da inteligência zimbabueana, a manter a RENAMO em solo zimbabueano para
viabilizar um diálogo de paz.
Todavia,
Peter Walls violou o compromisso e transferiu secretamente toda a estrutura
militar e logística da RENAMO para Phalaborwa, na África do Sul, colocando o
comando do conflito sob a alçada directa de Pretória. Essa reviravolta forçou o
Executivo moçambicano a mudar de estratégia, priorizando a negociação com o
'inimigo principal' — o regime do apartheid —, o que culminou no Acordo de
Incomáti em 1984 como condição prévia e indispensável para isolar os
insurgentes e viabilizar o diálogo directo em Roma.
Reconciliação sem Comissão da Verdade: A Opção pelo Perdão Comunitário e
nas Famílias
Confrontado
com a opção de Moçambique de não instaurar uma Comissão de Verdade e
Reconciliação semelhante à experiência sul-africana liderada por Desmond Tutu e
Nelson Mandela, Chissano apresentou uma fundamentação ética e sociológica
profunda. O entrevistado explicou que, num conflito devastador que causou
centenas de milhares de vítimas mortais, a tentativa de escrutinar judicial ou
inquisitorialmente a responsabilidade individual teria gerado um processo
inconclusivo e paralisante.
O antigo
Presidente assinalou que seria juridicamente absurdo e moralmente inócuo tentar
interrogar figuras já falecidas de ambos os lados do espectro político e
militar, tais como Samora Machel, Eduardo Mondlane, Uria Simango, Lazaro
Nkavandame ou André Matsangaíssa. Além disso, questionou a eficácia real dos
modelos inquisitoriais sul-africanos onde figuras chave como Pieter Botha se
recusaram a depor:
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«...em
Moçambique, nós, depois de uma guerra que matou centenas de milhares de
pessoas, até parecia absurdo estar a pensar em estudar caso a caso. Então nós
preferimos uma reconciliação que fosse global, inclusiva de todo o povo
moçambicano. Porque a reconciliação aqui principal não é entre partidos, não
é entre Governo e partidos; a reconciliação é entre os moçambicanos. E temos
muitas provas disto, daqueles que eram inimigos e que se reconciliam, que
vivem juntos na mesma aldeia, até mesmo na mesma família... E se olharmos
para mesmo lá onde houve comissão da verdade, onde é que está a verdade? Como
é que morreu o Presidente Samora Machel? Malan e Pieter Botha responderam a
essa pergunta? Malan e Pieter Botha recusaram-se pura e simplesmente a
aparecer nessa comissão. Portanto, se lá não foi conclusivo, aqui eu tenho as
minhas cautelas de que não teria sido um bom caminho.» |
Do Protocolo I de Princípios ao Diálogo Nacional Inclusivo: O Respeito
pelas Instituições
No plano
do ordenamento constitucional e da engenharia institucional, Joaquim Chissano
destacou o valor do Protocolo I de Princípios, assinado em Roma logo no início
das conversações. Por via deste instrumento legal, a RENAMO aceitou reconhecer
formalmente a autoridade do Governo de Moçambique, a vigência da Constituição
de 1990 e a legitimidade das instituições do Estado como pré-requisito para o
avanço dos restantes protocolos negociais.
Reiterando
que qualquer alteração ao sistema político deve tramitar estritamente através
dos canais democráticos e nunca por acções violentas de rua ou contestação
militarizada, Chissano recorreu à metáfora do desporto para ilustrar a
imperatividade da disciplina institucional:
|
«...num
país, quando se criam instituições, essas instituições devem ser respeitadas.
E se for necessário mudar as constituições, tem de se ir pela mesma via
democrática e não por via da violência. Isso foi o que conseguimos quando
discutimos com a RENAMO em Roma... um dos pontos fulcrais era o
reconhecimento do Governo, das instituições, do Presidente da República, da
Constituição, da Assembleia da República... Onde há árbitro, há árbitro; pode
fazer-se a crítica, mas o que o árbitro decide é isso, senão não é árbitro. O
Estado deve aceitar que é preciso haver disciplina no respeito àquilo que é
constitucional e institucional.» |
A
propósito do processo em curso do Diálogo Nacional Inclusivo — que ausculta
actualmente a sociedade sobre três cenários de reforma política (manutenção do
texto constitucional, rotura radical ou mudança moderada) —, o antigo Chefe de
Estado defendeu uma postura pragmática e integradora. Chissano exortou os
actores políticos a abandonarem posições dogmáticas e a trabalharem na fusão
dos elementos mais construtivos de cada proposta:
|
«...o
cenário melhor é aquele que merecer o maior consenso. Vamos discutir, é bom
que haja várias opções... E dessas três é preciso que haja aquele que tiver
maior consenso, e se calhar até se podem modificar essas três e constituir
uma única proposta, porque se pode tirar o que está mal daqui e dali e juntar
o que é mais positivo. Para que serve o diálogo? O diálogo serve para fazer o
consenso de todas as opções que existem.» |
Reconstrução Socio-Económica e o Combate ao Terrorismo em Cabo Delgado
No âmbito
do balanço pós-guerra, Joaquim Chissano sublinhou o sucesso da Conferência de
Doadores realizada em Roma logo após a assinatura do AGP, onde a solidariedade
da comunidade internacional superou os montantes financeiros solicitados pelo
Executivo moçambicano. Este fluxo orçamental permitiu a reconstrução acelerada
de infra-estruturas destruídas num prazo de apenas três anos e a reactivação do
tecido produtivo nacional.
Ao
analisar as tensões eleitorais vividas nas últimas três décadas, o antigo
Presidente ressalvou que as acções armadas de contestação política movidas pela
RENAMO mantiveram-se geograficamente circunscritas às regiões da Gorongosa e
Muxúnguè, sem nunca alastrarem ao resto do território nacional. Distinguiu
expressamente essa realidade da crise humanitária e de segurança em Cabo
Delgado, afirmando categoricamente que o terrorismo no Norte não possui
qualquer vínculo à RENAMO, resultando do extremismo violento e da manipulação
social de jovens desempregados.
|
«...no
que diz respeito à RENAMO, não podemos ver nada de generalizado. O que temos
no Norte é terrorismo que não tem nada a ver com a RENAMO. E a mensagem,
antes de passar para os jovens, eu passaria mesmo para os adultos: é nossa
responsabilidade falar da história aos jovens. A nossa juventude quer viver
bem, mas às vezes encontra-se envolvida em disputas que não são do seu
próprio desejo, vêm da manipulação, como os que estão a participar no
terrorismo no Norte. É a manipulação. Portanto, nós, os mais velhos, temos a
responsabilidade de passar a história para o conhecimento deles, para criar a
paz através da criação de uma cultura de paz — que quer dizer a maneira de
viver, de ser e de estar sem violência.» |
Síntese Cronológica dos Marcos Negociais e Acontecimentos Chave
A tabela
seguinte resume a evolução dos acontecimentos históricos, actores diplomáticos
e decisões estratégicas detalhadas pelo antigo Presidente Joaquim Chissano
durante a entrevista:
|
Fase / Período |
Local e Atores |
Eventos Chave |
Resultados / Impacto |
|
Primeiros Contactos (Mandato Samora) |
Nairóbi (Quénia) |
Contactos indirectos e transmissão de
recados entre FRELIMO e RENAMO. |
Abertura dos canais de comunicação
inicial. |
|
Tentativa Queniana e Malawi (1989-1990) |
Nairóbi / Blantyre |
Rutura por proposta unilateral de arap
Moi; fuga da RENAMO no Malaue. |
Transferência do processo de mediação
para a Europa. |
|
Encontros Informais de Cúpula |
Gaborone / Roma |
Jantar informal no Botswana e aperto
de mão histórico em Roma com a pergunta 'Queres a paz?'. |
Desbloqueio da confiança mútua entre
Chissano e Dhlakama. |
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Negociações Oficiais em Roma (1990-1992) |
Sant'Egidio (Itália) |
Assinatura do Protocolo I de
Princípios e negociação dos protocolos sectoriais. |
Assinatura do Acordo Geral de Paz a 4
de Outubro de 1992. |
|
Reconstrução Pós-Guerra (1992-1995) |
Roma / Maputo |
Conferência de Doadores superou
pedidos orçamentais iniciais. |
Restauração de infra-estruturas chave
num período de 3 anos. |
|
Desafios Atuais e Diálogo (2026) |
Maputo |
Auscultação de 3 cenários
constitucionais e combate ao terrorismo em Cabo Delgado. |
Busca de consensos integradores e
promoção da cultura de paz. |
A grande
entrevista de Joaquim Chissano aos 34 anos do Acordo Geral de Paz constitui um
documento de capital importância para a compreensão da história contemporânea
de Moçambique. Longe de ser um exercício de mera saudosismo, o depoimento do
antigo Chefe de Estado projeta luz sobre as exigências do presente, lembrando
aos actores políticos e à sociedade civil que a paz não é um estado estático,
mas sim uma construção diária sustentada na tolerância, na confiança mútua e na
fidelidade às instituições democráticas.
Como
concluiu Ivone Vicente na sua análise jornalística para o Moçambique Notícias,
a mensagem de Chissano ressoa como um imperativo pedagógico: numa altura em que
o país enfrenta o flagelo do terrorismo no Norte e os desafios do Diálogo
Nacional Inclusivo, a resposta reside no resgate do espírito de Roma — ouvir o
outro de boa-fé, transformar as divergências numa força superior e transmitir
às novas gerações o valor inestimável da não-violência.





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