ECONOMIA E GOVERNAÇÃO LOCAL: MOYANA DEFENDE PROTECCIONISMO AGRÍCOLA E EXTENSÃO DO MODELO AUTÁRQUICO A TODOS OS DISTRITOS


Com o saldo positivo de 114 milhões de dólares na balança comercial e realizações de vulto em Tete, o comentador insta o Governo a travar a importação de alimentos e enaltece os resultados das autarquias.

Por: Ivone Vicente


Os dados económicos do primeiro semestre divulgados pelo Ministério da Economia — assinalados por um saldo favorável de 114 milhões de dólares na balança comercial e pelo impacto positivo da centralização da importação do arroz — foram destacados por Salomão Moyana como um ponto de partida para a adopção de medidas proteccionistas de apoio à produção nacional e para o aprofundamento da descentralização autárquica em Moçambique. Em análise no programa «A Semana com Moyana» (MBC TV), o jornalista propôs o fecho de fronteiras a alimentos que o País produz em abundância e defendeu a transformação de todas as sedes distritais em autarquias.

 

Indicadores Económicos e Protecção à Produção Nacional

A avaliação do Ministério da Economia confirmou a estabilidade no fornecimento de arroz e trigo sem agravamento de preços desde a entrada em vigor, em Janeiro, do modelo centralizado de importação. Diante destes resultados, Salomão Moyana defendeu que o Governo deve avançar para decisões mais agressivas de protecção aos produtores moçambicanos, através da fixação de quotas ou da interdição temporária da importação de frango, água mineral, batata, hortícolas e frutas oriundas da África do Sul. «Esta coisa de vivermos de importações de comida tem que acabar. [...] O que nós temos que fazer: quando o Ministério da Economia fecha a importação de comida, o Ministério da Agricultura tem que acelerar a produção de comida», afirmou.

 

O comentarista enfatizou que o País dispõe de capacidade produtiva interna que permanece estrangulada pela concorrência estrangeira, sugerindo a articulação directa entre o fecho de importações pelo Ministério da Economia e o fomento agrícola intensivo pelo Ministério da Agricultura, recorrendo a linhas de crédito descentralizadas como a GAPI.

 

Investimentos Estratégicos na Província de Tete

Moyana enalteceu os desenvolvimentos registados na província de Tete aquando da visita do Presidente da República, sublinhando a mobilização de 2.000 milhões de dólares pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) para a reabilitação das suas turbinas. Destacou ainda a entrega de 200 habitações e serviços sociais no reassentamento de Amisat (construído pela empresa Vulcan) e a atribuição de prémios de 140 mil meticais a jovens empreendedores na Gala Prémio Jovem Criativo. Ao reflectir sobre o desafio do desenvolvimento, citou: «Não basta termos potencialidades, temos que transformar as potencialidades em investimentos e transformar os investimentos em comida na mesa do cidadão, em dinheiro no bolso do cidadão. Isso é o que ainda não conseguimos.»

 

Descentralização Autárquica e Crise de Combustíveis

Apontando os êxitos de gestão nas autarquias da Manhiça, Xai-Xai, Marracuene, Beira, Chimoio, Nampula e Pemba na pavimentação de ruas e criação de infra-estruturas, Moyana defendeu que a autarquização deve ser estendida a todas as sedes distritais do País como motor de desenvolvimento. Em relação às perturbações no abastecimento de combustíveis, o jornalista esclareceu que o problema decorre do conflito geopolítico no Estreito de Ormuz conjugado com constrangimentos na emissão de garantias bancárias em dólares para o descarregamento de navios nos portos moçambicanos.

A dependência excessiva de produtos agro-pecuários importados da África do Sul tem pressionado as reservas cambiais moçambicanas, numa altura em que as autarquias locais demonstram maior eficácia na execução de obras públicas do que os governos distritais dependentes do orçamento central.

A adopção de políticas proteccionistas pode alavancar a produção agrária e a pecuária nacional, gerando postos de trabalho rurais e poupança de divisas. Simultaneamente, a eventual transformação das sedes distritais em autarquias impulsionará a melhoria das vias de acesso e da prestação de serviços às populações do interior.

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