O Tribunal Supremo determinou o fim da restrição financeira ao político opositor, ao passo que o Tribunal de Camavota travou os órgãos centrais do PODEMOS, numa direcção qualificada por Salomão Moyana como "um fracasso político".
O cenário jurídico e partidário em Moçambique
ficou marcado por duas decisões judiciais de elevado impacto: o Tribunal
Supremo ordenou o desbloqueio definitivo das contas bancárias e carteiras
móveis de Venâncio Mondlane, enquanto o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo
(Secção de Camavota) acolheu uma providência cautelar que suspende a direcção
do partido PODEMOS, liderada por Albino Forquilha. Em análise ao caso no
programa «A Semana com Moyana», o jornalista Salomão Moyana considerou a
deliberação sobre Mondlane uma medida de estrita justiça e classificou a crise
no PODEMOS como o colapso de uma liderança desprovida de projecto político
estruturado.
O Desbloqueio das Contas de Venâncio Mondlane
As contas bancárias e carteiras electrónicas
do político Venâncio Mondlane encontravam-se cativadas desde 2024 por ordem do
Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, sob a alegação de que os seus recursos
financeiros estariam a ser utilizados para custear manifestações de protesto. O
Tribunal Supremo concluiu que, estando o País sem manifestações, cessaram os
fundamentos legais que justificavam a manutenção da restrição. Salomão Moyana
elogiou a deliberação do órgão superior da magistratura judicial, considerando-a
juridicamente irrepreensível e refutando ilações político-partidárias.
Crise Institucional e Suspensão dos Órgãos do PODEMOS
Em sentido oposto, o partido PODEMOS enfrenta
a paralisação dos seus órgãos directivos centrais. A acção movida pelo
Secretário-Geral honorário, Hélder Mendonça, resultou numa providência cautelar
aprovada pelo Tribunal de Camavota, determinando a suspensão de Albino
Forquilha do cargo de Presidente e ordenando aos órgãos centrais do partido que
se abstenham de tomar decisões estruturais devido à caducidade dos seus
mandatos.
A Avaliação Crítica da Trajectória Partidária
Salomão Moyana lembrou que os 43 assentos
parlamentares obtidos pelo PODEMOS nas eleições de Agosto de 2024 derivaram, na
sua avaliação, do apoio eleitoral à candidatura presidencial de Venâncio
Mondlane, e não da implantação própria da agremiação. «O PODEMOS foi um erro
político que aconteceu [...] teve o jackpot de 43 lugares no parlamento, é uma
coisa totalmente imerecida e totalmente descontextualizada da actividade
política do PODEMOS», afirmou. Caracterizando a gestão interna como "uma
mancha na política nacional", envolvida em conflitos financeiros com a
Associação Solidariedade Cívica de Moçambique, o analista anteviu que o quadro
eleitoral sofrerá ajustamentos profundos em 2028 e 2029. Sobre a actual
direcção, declarou: «A direcção actual do PODEMOS é um fracasso político. Neste
momento o PODEMOS equipara-se mais ou menos ao que a Renamo está sendo em
termos de comportamento da liderança: partidos que estão mais preocupados com a
sobrevivência individual pessoal das pessoas do que com a sobrevivência de um
projecto político.»
O bloqueio das contas de Mondlane foi
decretado no auge dos protestos pós-eleitorais de 2024. O PODEMOS, fundado em
2019 e sem expressão nas urnas até à aliança travada com Mondlane em 2024,
envolveu-se em contendas judiciais e financeiras pelo controlo das subvenções
estatais destinadas à oposição parlamentar.
A decisão do Tribunal Supremo restabelece a
plenitude dos direitos cívicos e patrimoniais de Venâncio Mondlane. Por seu
turno, a suspensão judicial da direcção do PODEMOS deixa a principal força da
oposição parlamentar sem liderança formal e em situação de incerteza quanto à
gestão dos seus meios financeiros.

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